Ela escutava relatos em um idioma que se fala no outro lado do rio Uruguai, pois desde criança escutou seu avô lhe falar em português, tendo sua família paterna vinda do Rio Grande do sul desde sempre sentiu correr em suas veias esta dualidade cultural que aflora naturalmente em seu espírito sua vida e agora em algumas canções que vem formar seu trabalho o primeiro que Gicela Méndez Ribeiro oferece a consideração do grande publico, e por isto posso justificar plenamente seu chamamé bilíngüe. Neste trabalho que nos apresenta não há intenções de ganhar ao país vizinho nem de surpreender a nossa terra Argentina, pois não tem projeto de abrir um mercado no Brasil para sua música porque acredito que sempre esteve aberto para ela. Mas sim a necessidade de ser coerente antes de tudo com sigo mesma, contar cantando suas latências que para ela são estes dois idiomas espanhol e português. Esta jovem Correntina da cidade de Paso de Los Libres, que nasceu e cresceu envolvida em ares de duas culturas similares, mas claramente diferenciadas que são umas das forças que ligam à província de Corrientes e o estado do Rio Grande do Sul. Ela manteve a herança de sua estirpe e de suas raízes, já que Leon Tolstoi descreveu sua aldeia e se universalizou. Então aqui podemos dizer que ela esta fazendo o mesmo e corretamente, cantando sua terra, seu lugar onde vive e mostrando ao mundo a cultura tão similar que temos entre nós “paises do sul” que formamos o “Mercosul cultural.” Porque ela em Paris cantou sua música e depois foi protagonista do documentário “Chamamé” para uma produtora alemã. Tudo isto reafirma minha teoria que: É nos primeiros anos de vida, na intimidade da família e mais tarde na escola que se aprende, e se os pais estiverem atentos, a valorização e o carinho pela cultura onde nascemos não morrerão e não vamos renegar, mas sim tratar cada vez mais com respeito. Foi com seu pai o acordeonista Ricardo Méndez Ribeiro com quem começou a escutar e a entender a sua musica terrunha e regional, e assim cantou e cantou... Ganhando um concurso na sua cidade natal, com seu pai iniciou um conjunto musical que percorreram toda a fronteira Argentina e o sul do Brasil e podes-se dizer que ele é uma de suas colunas que ajudam a sustentar o canto de Gicela; e participa neste CD em três obras uma delas instrumental, acentuando a formação que ele lê entregou desde o berço. E nem por isto ela deixa de ser ela mesma, voando sozinha aos ventos que impulsionam através do tradicional, mas sem medo de sentir novos ares e renovando assim sua musica. Gicela Méndez Ribeiro obteve muitos prêmios em seu brilhante “Caminito” e cada canção em sua voz é como uma pequena pedra preciosa que se revela aos raios de sol, ela nos brinda e revela um novo e luminoso diamante que é este disco, envolvente em seu estilo pessoal e inconfundível, vem mostrar e compartilhar um pouco mais a nossa pátria chamamecera, acompanhada por excelentes músicos que sabem dividir juntamente com ela o chamamé e suas origens com o respeito merecido e sabendo do que se trata, com excelência com paixão e com indiscutíveis raízes. Bem vindo este trabalho que celebro com meu respeito e carinho por esta jovem Correntina. Bem vindo este gesto de Gicela de inclinar-se aos cantares que a ela são propícios por razões geográficas e também por ser herdeira destas duas ricas correntes culturais que nela habitam. Gicela! “Por El Caminito” seguiremos todos para iluminar a nossa alma.

Perla Aguirre

Autora, compositora e intérprete da música nacional Argentina